
Intelectuais
Alcione Dias Nazareth
Cantora
Alcione Dias Nazareth amplamente conhecida como "A Marrom", é uma das vozes mais potentes, respeitadas e marcantes da história da música popular Brasileira, especialmente do samba e samba-canção nascida em São Luís Do Maranhão, no dia 21 de novembro de 1947 Filha de João Carlos Dias Nazareth (mestre da banda da policia militar e compositor) e de Dona Filipa. Foi com o pai que aprendeu a tocar instrumentos de sopro, como trompete e clarinete, desde muito jovem. Formou-se como professora primária, mas a paixão pela música falou mais alto. Após se apresentar em TVs e boates locais no Maranhão, mudou se para o Rio de Janeiro no final dos anos 1960 para tentar a carreira artística. na década de 1970, Alcione começou a ganhar destaque nas noites cariocas e em programas calouros. Em 1975, lançou seu primeiro álbum de estúdio, A Voz Do Samba, que continha grandes clássicos como "Não Deixe o Samba Morrer". O disco foi um enorme sucesso comercial e de crítica. Ao longo das décadas, acumulou dezenas de sucessos inesquecíveis, como A Loba, Você Me Vira a Cabeça (Me faz de Palhaço), meu Ébano, sufoco e Estranha Loucura.
Alcione Dias Nazareth nasceu em São Luís, Maranhão, no dia 21 de novembro de 1947.[4] O nome de batismo foi ideia do pai, inspirado na personagem Alcíone, a protagonista do romance espírita Renúncia, psicografado por Chico Xavier. Ela é a quarta de nove irmãos: Wilson, João Carlos, Ubiratan, Alcione, Ribamar, Jofel, Ivone, Maria Helena e Solange. Alcione tem mais nove irmãos que seu pai teve com outras mulheres. Sua mãe chegou a amamentar algumas dessas crianças, por considerar que as crianças não poderiam ser culpadas pelas traições do marido.[5]
Desde pequena foi inserida no meio musical maranhense, graças ao pai policial e integrante da banda de sua corporação, João Carlos Dias Nazareth. Alcione fez sua primeira apresentação aos nove anos na Rádio Difusora de São Luís.[6] O pai foi mestre da banda da Polícia Militar do Maranhão e professor de música. Além disso, foi compositor e entusiasta do bumba-meu-boi, folguedo típico da capital maranhense.[7] Foi ele quem a ensinou, ainda cedo, a tocar diversos instrumentos de sopro, como o trompete e o clarinete que começou a praticar aos nove anos.[8]
Com essa idade, tocava e cantava em festas de amigos e familiares, e na Queimação de Palhinha da festa do Divino Espírito Santo. Sua mãe, Filipa Teles Rodrigues, entretanto, guardava o desejo de que a filha aprendesse a tocar acordeão ou piano. Não queria que Alcione aprendesse a tocar instrumentos de sopro, temendo que a filha ficasse tuberculosa, crendice comum à época.[9]
Sua primeira apresentação profissional foi aos 17 anos, na Orquestra Jazz Guarani, regida por seu pai. Certa noite, o crooner da orquestra ficou rouco e foi substituído pela menina. Na ocasião, cantou a canção "Pombinha Branca" e o fado "Ai, Mouraria". O apelido Marrom, dado pelos integrantes da orquestra de seu pai, surgiu nessa época.[10]
Alcione afirmou que seu pai era "bom homem" e incentivava as filhas a serem independentes desde muito cedo, a nunca obedecerem homem nenhum, além de lhes ensinar valores morais rígidos.[5] Aos 18 anos formou-se como professora primária na Escola de Curso Normal. Lecionou por dois anos, quando foi demitida aos 20 anos, por ensinar a seus alunos como se tocava trompete, que seu pai lhe ensinou quando pequena, querendo passar o aprendizado que recebeu, mas isso não agradou a direção da escola, que era muito rígida à época.[5]
Após a demissão, continuou a dedicar-se à música, e dessa vez de forma mais intensa e exclusiva.[11] Conseguiu uma vaga em um sorteio e apresentou-se na TV do Maranhão, onde passou a se apresentar regularmente, apresentando-se lá nos anos 1960.[12] Além de cantar na TV, também cantava em bares e boates em várias cidades do Maranhão. Querendo alcançar rumos maiores, Alcione mudou-se para o Rio de Janeiro em 1967[13].
Não conhecia nada no Rio e quem a ajudou a se estabelecer foi seu amigo, o cantor Everaldo. Com ajuda dele também, Alcione começou cantando na noite, ocasião em que Everaldo lhe apresentou as boates e bares da cidade. Ensaiava no Little Club, boate situada no conhecido Beco das Garrafas, reduto histórico do nascimento da bossa nova, em Copacabana. Cantou também em boates como Barroco, Bacarat, Holiday e Bolero.[14][15]
Começou a se inscrever em programas de calouros, e foi sendo chamada para se apresentar. Venceu as duas primeiras eliminatórias do programa A Grande Chance, de Flávio Cavalcanti.[16] Nessa mesma época, conheceu a famosa TV Excelsior. Inscreveu-se e conseguiu fazer um teste de voz, e passou com boa colocação. Assinou o primeiro contrato profissional com essa TV, apresentando-se no programa Sendas do Sucesso. Depois de seis meses na emissora, realizou turnê por quatro meses pela América Latina, sendo a primeira vez que saiu do Brasil. Após ter feito excursão também por países da América do Sul, recebeu proposta de turnê na Itália, e assim morou na Europa por dois anos. Voltou ao Brasil em 1972.[carece de fontes]
Em 2007 Alcione interpretou a cantora americana Lady Brown, na minissérie Amazônia, de Galvez a Chico Mendes, na TV Globo.[17]
Em 2015, canta "Juízo Final" na abertura da novela da TV Globo, A Regra do Jogo.[18]
Carnaval
Alcione visitou a quadra da Estação Primeira de Mangueira pela primeira vez em 1974 e logo foi convidada a desfilar. Na concentração, a ausência de um destaque levou a bela estreante ao alto de um carro alegórico. Desde então, a cantora é membro destacado da escola.[19] Em 1987, participou da fundação da escola de samba mirim Mangueira do Amanhã, e hoje é presidente de honra do grupo.[20]
Em 1989 foi homenageada pela escola de samba Independentes de Cordovil, no então chamado grupo 2, a segunda divisão do Carnaval carioca, com o enredo "Marrom som Brasil".[21] Posteriormente, em 1994 foi novamente homenageada pela tradicional Unidos da Ponte, desta vez no grupo especial do Carnaval carioca, como enredo "Marrom da cor do samba".[22] Em 2018, a tradicional escola de samba de São Paulo, Mocidade Alegre, homenageou os 70 anos de vida e os 45 anos de carreira de Alcione, com o enredo "A voz marrom que não deixa o samba morrer".[23]
Alcione já interpretou sambas de exaltação às escolas de samba: Mangueira, Mocidade Independente, Imperatriz Leopoldinense, União da Ilha do Governador, Beija-flor de Nilópolis e Portela.[24]
A Mangueira, escola do coração de Alcione, homenageou a cantora no carnaval de 2024 como enredo "A Negra Voz do Amanhã". Era um desejo antigo da comunidade, ainda não realizado por inúmeras negativas da própria Marrom.[25]
"Meu careca"
A relação entre a cantora Alcione e o ministro Alexandre de Moraes ganhou destaque na mídia devido a declarações públicas da artista sobre sua admiração pelo magistrado. Alcione expressou publicamente sua admiração por Alexandre de Moraes em diversas ocasiões, inclusive durante shows.[26]
Em uma dessas ocasiões, a cantora chegou a dizer que, se tivesse conhecido o ministro antes, teria se casado com ele. Ao término da declaração ela cantou a música "Faz uma Loucura por Mim".[27]
Alcione já se referiu a Alexandre de Moraes como "meu careca", durante um show em Brasília, demonstrando um certo tom de intimidade. A declaração foi feita enquanto a cantora puxava o coro para o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT).[28]
As declarações de Alcione geraram grande repercussão nas redes sociais e na mídia, com diversos comentários e reações do público.[29]
"Adoro nosso ministro Alexandre de Moraes. Sempre falei para a minha irmã que, se tivesse conhecido ele há mais tempo, eu tinha casado com ele."
— Alcione
Vida pessoal
Alcione nunca se casou oficialmente, apenas manteve relacionamentos estáveis. Em entrevistas afirmou que não quer mais dividir a mesma casa com um companheiro, informando que até os dias atuais ainda namora e sai com os homens que lhe despertam interesse.[5] Ao decidir ter um filho, descobriu que não poderia ser mãe devido a endometriose e a SOP. Tentou tratamentos laboratoriais, como inseminação, além de operações espirituais, mas não obteve êxito em nenhuma tentativa.[30][verificar]
Devido a um tumor na laringe, desenvolveu uma paralisia nas cordas vocais, e a medicina informou que só poderia cantar por mais um ano. Para tentar reverter o quadro, operou espiritualmente em um centro kardecista com Dr. Fritz, uma entidade espiritual. Após operar-se, seguiu o ritual, e ficou calada por três dias. Surpreendendo os médicos, Alcione se curou e pôde continuar a cantar sem restrições, como sempre fez. A partir deste milagre, parou de consumir álcool e devido a cura de sua garganta, converteu-se ao espiritismo. Em entrevistas revelou ter sido criada no catolicismo e que nunca fumou, e que nunca pensou em mudar de religião até obter seu milagre de cura.[30][verificar]
Em entrevistas disse que todos os dias ora agradecendo a Deus pelo dom de cantar, já que nunca fez aula de canto.[31]
Discografia
Ver artigo principal: Discografia de Alcione
A Voz do Samba (1975)
Morte de Um Poeta (1976)
Pra Que Chorar (1977)
Alerta Geral (1978)
Gostoso Veneno (1979)
E Vamos à Luta (1980)
Alcione (1981)
Dez Anos Depois (1982)
Vamos Arrepiar (1982)
Almas e Corações (1983)
Da cor do Brasil (1984)
Fogo da Vida (1985)
Fruto e Raiz (1986)
Nosso Nome: Resistência (1987)
Ouro & Cobre (1988)
Simplesmente Marrom (1989)
Emoções Reais (1990)
Promessa (1991)
Pulsa, Coração (1992)
Brasil de Oliveira da Silva do Samba (1994)
Profissão: Cantora (1995)
Tempo de Guarnicê (1996)
Celebração (1998)
Claridade (1999)
A Paixão tem Memória (2001)
Faz Uma Loucura por Mim (2004)
Uma Nova Paixão (2005)
De Tudo Que eu Gosto (2007)
Acesa (2009)
Eterna Alegria (2013)
Tijolo por Tijolo (2020)
Filmografia
AnoTítuloPapelEmissoraNotasRef.1979–1981Alerta GeralApresentadoraTV Globo1997Por AmorEla mesma2001O Clone2007Amazônia, de Galvez a Chico MendesLady Brown2011Zorra TotalEla mesma2012Cheias de Charme2013Salve Jorge2015Mister BrauTia Marizilda2017A Força do QuererEla mesma2023Travessia2024Tô Nessa[32]2025Garota do MomentoNazaré DiasEpisódio: "25 de junho"[33]
Prêmios e indicações
Grammy Latino
AnoCategoriaIndicaçãoResultado2000Melhor Álbum de Samba/PagodeClaridadeNomeado2003Ao VivoVenceu2006Uma Nova Paixão - Ao VivoNomeado2010AcesaNomeado2012Duas Faces: Ao Vivo na MangueiraNomeado2015Eterna Alegria - Ao VivoNomeado
Prêmio da Música Brasileira
AnoCategoriaIndicaçãoResultado2003Melhor Cantora de SambaAlcioneVenceu2004Melhor Cantora de SambaVenceu2005Melhor Cantora de SambaVenceu2010Melhor Cantora de Samba[34]Venceu2011Melhor Cantora de Samba[34]Venceu2012Melhor Álbum (Canção Popular)[34]"Duas Faces - Jam Session"Venceu2012Melhor Cantora (Canção Popular)AlcioneVenceu2013Melhor Cantora de Samba[34]Venceu2014Melhor Cantora de Samba[35]Venceu2015Melhor Cantora de Samba[36]Venceu2018Melhor Cantora[37]Venceu
Prêmio Contigo! MPB FM
AnoCategoriaIndicaçãoResultado2012Melhor Álbum de SambaDuas Faces: Ao Vivo na MangueiraNomeadoMelhor CantoraAlcioneNomeado2013Melhor Álbum de SambaEterna AlegriaNomeadoMelhor CantoraAlcioneNomeado2014Nomeado
Press Awards
AnoCategoriaIndicaçãoResultado2006Lifetime Achievement AwardAlcioneVenceu
Academie Arts Sciences Lettres
AnoCategoriaIndicaçãoResultado2006Medalha de OuroAlcioneVenceu
Prêmios da Fundação Luso-Brasileira
AnoCategoriaIndicaçãoResultado2006HomenagemAlcioneVenceu
Troféu Imprensa
AnoCategoriaIndicaçãoResultado2003Melhor CantoraAlcioneNomeado
Women's Music Events Awards
AnoCategoriaIndicaçãoResultado2020HomenagemAlcioneVenceu[38]
Fontes:Alcione (cantora) – Wikipédia, a enciclopédia livre
Artes sobre Alcione Dias Nazareth
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